Saturday, February 28, 2015

CHICO E A DITADURA

Para ele, "Apesar de Você" era uma de suas únicas canções de protesto:



Chico Buarque completa 70 anos nesta quinta-feira. São sete décadas de hinos que dão voz a personagens que vão de mulheres a malandros e falam como ninguém do Rio de Janeiro, de política e de amor. Uma obra gigantesca e definidora do país, de acordo com Tárik de Souza. Um dos mais importantes artistas do Brasil.

Exilado na Itália, Chico Buarque via de longe a ditadura militar governar o Brasil. Viu Gilberto Gil e Caetano Veloso serem presos e depois exilados em Londres, Vinícius de Moraes ser aposentado de seu cargo no Itamaraty por conta do AI-5, as denúncias de tortura e prisões políticas e a posse de Médici, em 1969. Aconselhado por Vinícius de Moraes a voltar "com barulho" ao Brasil, Chico foi recebido no Aeroporto do Galeão, vindo de Roma, por amigos, fãs, pela Torcida Jovem Flu e por uma bandinha, segundo conta o livro Chico Buarque – Histórias de Canções.



De um lado, o compositor via a censura correndo atrás de artistas como ele. De outro, ouvia músicas nacionalistas como Eu te Amo, meu Brasil, de Dom e Ravel, e Pra Frente Brasil, de Miguel Gustavo. Resolveu fazer o que ele mesmo considera uma de suas únicas músicas de protesto, que diz que "hoje você é quem manda, falou, tá falado" e pergunta "como vai proibir quando o galo insistir em cantar?". Mandou a letra para a censura e, para sua surpresa, ela foi liberada integralmente. Em uma semana, o compacto vendeu 100 mil cópias – até que uma nota publicada em um jornal do Rio insinou que o "você" do título era Médici. Foi a senha para que todos os compactos fossem recolhidos, a execução em rádios fosse proibida e até mesmo o censor desastrado fosse punido. Mesmo a resposta – cínica – de Chico, de que a música não seria para Médici, mas para uma "mulher mandona", não colou.

No final dos anos 1970, o diretor Luiz Antônio Martinez Corrêa leu a notícia de um bandido italiano radicado no Brasil e teve a ideia de adaptar a Ópera dos Mendigos, peça de 1729 de John Gay, e procurou Chico Buarque, que já tinha a ideia de fazer uma montagem de Ópera dos Três Vinténs, texto de 1928 de Bertolt Brecht. Do estudo, nasceu Ópera do Malandro – que virou peça, em 1978, álbum, em 1979, e filme, em 1986.
Nesta composição, Chico se baseia no conto Bola de Sebo, de Guy de Maupassant, que também fala de uma prostituta. Há quem veja na letra uma crítica ao capitalismo e à religião opressora. Interpretações menos profundas (e mais literais) levaram pessoas a jogarem terra em prostitutas – já que não tinham bosta, como canta a música.

No programa Canal Livre, em 1980, o compositor lamentou o fato, dizendo que "o artista está sujeito a coisas do tipo, mas que não deve submeter o processo criativo ao temor de ser mal entendido", segundo o livre de Homem. Ele ainda disse que as pessoas gostam de artistas por motivos que são mais das pessoas do que dos artistas.

Em 1993, mais de 20 anos depois de lançar Construção, Chico Buarque admitiu à revista Status que a ideia inicial da composição era fazer uma "experiência formal", com estrofes terminadas em proparoxítonas. A poesia, somada aos arranjos do maestro tropicalista Rogério Duprat, formaram o que talvez seja a música mais conhecida e celebrada de Chico Buarque.
Porém, como conta o livro de Wagner Homem, o sucesso se deve a outro elemento, não tão nobre: o jabá. Em 1989, em entrevista à revista América, o cantor contou que, anos antes, havia reclamado para seu antigo "patrão" de gravadora que o pagamento para rádios populares tocarem determinadas músicas (o famoso jabá) havia crescido muito naqueles anos, quando o executivo revelou: "Você lembra do sucesso de Construção, uma música difícil, pesada, muito longa para a época, que tocava no rádio o dia inteiro? Pois paguei muito jabá por ela".

Outra estratégia teria sido tentada pelo advogado da gravadora, João Carlos Muller Chaves: ele teria pedido informalmente para que os censores proibissem a música (o que daria ainda mais mídia para o lançamento). O resultado: por birra, a música foi liberada integralmente.



Em uma de suas mais celebradas parcerias com Tom Jobim, Chico Buarque ouviu questionamentos do compositor carioca acerca de dois detalhes. Antes de gravar a canção, Chico decidiu trocar "peito tão marcado" por "peito carregado", já que "tão", ele admitiu, era uma palavra usada só para completar as sílabas necessárias. Pouco tempo depois, Tom Jobim ligou de volta e aconselhou que "tão marcado" fosse mantido, já que "peito carregado" dava a ideia de tosse.
Mais tarde, Tom Jobim decidiu que o título deveria ser Retrato em Preto e Branco, já que "ninguém fala 'branco e preto'". Chico respondeu ironicamente, trocando "soneto" por "tamanco", para rimar: "Então tá, fica assim: 'vou colecionar mais um tamanco, outro retrato em preto e branco'". Tom cedeu.





Vamos deixar que o próprio Chico explique, com um relato tirado de seu DVD Romance:

"Eu estava mexendo no violão, comecei a fazer a melodia, e a primeira coisa que apareceu foi exatamente cidade submersa, isolada de tudo... Porque cantarolando parecia cidade submersa, parecia que a música queria dizer isso. E eu tinha que ir atrás depois, tinha que explicar essa cidade submersa, tinha que criar uma história. Apareceu essa cidade submersa exatamente antes de qualquer coisa. Aí eu coloquei esses escafandristas e esse amor adiado, esse amor que fica para sempre, né? Essa ideia do amor que existe como algo que pode ser aproveitado mais tarde, que não se desperdiça. Passa-se o tempo, passam-se milênios, e aquele amor vai ficar até debaixo d'água. E vai ser usado por outras pessoas. Amor que não foi utilizado. Porque não foi correspondido, então ele fica ímpar, pairando ali, esperando que alguém o apanhe e complete a sua função de amor."




Vai Passar




MEU CARO AMIGO





Que a gente vai fumando que, também, sem um cigarro ninguém segura esse rojão






CÁLICE


A VELHA POLÈMICA???














A velha Polémica Chico X Caetano
Caetano Veloso conheceu Chico Buarque cantando "Olé, olá" num dos shows do Teatro Paramount,em 1965. 
Encantado com a melodia e a facilidade com que o compositor trabalhava a letra, copiou-a num pedaço de papel e anexou-a a uma carta encaminhada a Dedé, sua namorada dizendo: "Conheci um cara que é a coisa mais linda".








A amizade atravessaria décadas , não sem pequenos arranhões...



"Se eu só lhe fizesse o bem Talvez fosse um vício a mais Você me teria desprezo por fim Porém não fui tão imprudente. E agora não há francamente .Motivo pra você me injuriar assim… (Chico Buarque)"





um deles "Carolina".


Carolina:

A gravação de Caetano Veloso no seu LP de 1969 seria um dos arranhões a abalar a sólida amizade entre os dois compositores. Em entrevista ao tablóide Opinião, Caetano negou que houvesse deboche na gravação:"É uma das poucas gravações...só gosto dela. Uma Carolina bem emocional...Ela virou uma espécie de sub texto lírico nacional, e eu sei que o chico nem ligava para ela.

Cantando daquela maneira , eu senti que estava modificando isso, descarregando um pouco da minha irritação.

Mais tarde retoma o assunto em seu livro Verdade Tropical:




"Claro que havia uma agressividade necessária contra o culto unânime a Chico em nossas atitudes. Quando gravei, em 69, a "Carolina" num tom estranhável, eu claramente queria, entre outras coisas relativizar a obra de Chico (embora não fosse essa , ali, a principal motivação[...].É preciso ter em mente que a glória indiscutível de Chico nos anos 60 era um empecilho à afirmação do nosso projeto."


É de Caetano uma das definições do papel que Chico representou naquele momento da música popular brasileira:

"Chico Buarque anda para a frente arrastando a tradição".

O tempo e uma boa causa

proporcionaram a reapreciação entre o criador e a criatura tão problemática. Em 1987 o Banco Brasil produziu o disco Há sempre um nome de mulher para a campanha pelo aleitamento materno e Chico não titubeou em gravar " Carolina", após vinte anos.



( In " Chico Buarque - Wagner Homem")


«Quando eu organizava as canções para o livro Chico Buarque letra e música, Chico me perguntou de onde eu havia tirado o verso "logo aponta os lábios dela", já que o correto era "logo aponta os lados dela". 

Preocupado com o erro, pus-me a escutar o velho vinil até que, finalmente, o ouvido viciado consegui entender que, de fato, era "lados" (...) me senti aliviado quando descobri que tanto Isaurinha Garcia (no álbum Chico Buarque e Noel Rosa) como Caetano (no CD Contemporâneos , de Dori Caymmi) cantam "lábios". 


Imediatamente enviei um e-mail ao compositor narrando o fato e concluí: "Só privilegiados têm um ouvido igual ao seu. Eu e Caetano, só o que Deus nos deu". Chico nunca responde»


(in "Chico Buarque" - Wagner Homem")


Caetano e Chico admiram-se mutuamente. São dois grandes artistas, verdadeiros símbolos daquilo que se convencionou chamar MPB, estilo musical que pode ser considerado um filho da bossa nova e dos festivais. 

Antes de se tornarem astros centrais da música popular brasileira, Caetano e Chico participavam - como principais rivais e concorrentes - do programa Esta noite se improvisa, da TV Record, em meados da década de 60 em que ambos disputavam quem tinha melhor memória musical.

Caetano era tido, pela maioria do "pensamento universitário de esquerda", pelo menos até ser preso pela ditadura militar, como um alienado, um vendido, um descomprometido com causas sociais. E, no seu livro  Verdade Tropical, Caetano comenta como a mídia tratava a polêmica:



Caetano Veloso:


Na verdade, uma moça simpática, entrevistando-me para a revista InTerValo (com T e o V maiúsculos indicavam ser uma publicação especializada em televisão), perguntou-me como eu via a diferença entre mim e Chico. 

Eu, estimulado pela oportunidade - e crendo que minha "aula" ia ser publicada -, expliquei-lhe que o que eu fazia era expor o aspecto de mercadoria do cantor de TV.


«Que tanto eu quanto Chico estávamos dizendo muitas coisas com nossas canções, mas que, do ponto de vista da televisão, eu era um cara de cabelo grande e Chico um rapaz bonito de olhos verdes»; e que quanto mais desmascarado estivesse esse jogo, mais nossas canções e nossas pessoas estariam livres. 


Poucos dias depois saiu a reportagem com minha declaração sumária de que "Chico Buarque não passa de um belo rapaz de olhos verdes".


Costuma-se associar Chico a uma refinada evolução do samba, de uma tradição que vem de Noel e da bossa nova, grande letrista, ou, como dizia certa vez Tom Jobim, "depositário da cultura popular brasileira".

Quem gosta, reconhece todo o mérito, mas quem não gosta, termina por predicar Chico como musicalmente conservador, que se resume a resgatar e fazer releituras sobre gêneros musicais do passado, ou, no aspecto político, alguém que se tornou chato pelas suas canções engajadas.


Caetano Veloso, por sua vez, é identificado com a ousadia, com suas figuras de linguagens incomuns, como um reinventor e descobridor de ritmos, sendo capaz de extrair musicalidade de onde o senso comum não espera, de emprestar dignidade a letras e sons tidos como "vagabundos" (no aspecto, a repercussão da abertura do show no festival de verão de 2010, quando cantou Cole na Corda, música da banda de pagode Psirico). 

Mas quem não gosta, associa Caetano como um vaidoso polêmico que resvala para o brega, quando não se aborda a suposta alienação política de suas canções.

Na verdade, essa comparação, essa polêmica serve apenas e tão somente para demonstrar o quão grandes são estes dois compositores. 

Mas aqui, como Vinícius dissera no disco que gravara em homenagem aos dez anos de parceria com toquinho, não gosto de critérios competitivos. "Eles são diferentes e admiráveis."

"Gosto de Chico, as tristezas imensas de Pedaço de mim, Trocando em miúdos e Todo sentimento, parece que ele personifica o personagem quando canta... me impressiona em Futuros amantes, quando alguém faz uma música a partir de uma ideia de escafandristas ("E quem sabe, então/O Rio será/Alguma cidade submersa/ Os escafandristas virão/Explorar sua casa/Seu quarto, suas coisas/Sua alma, desvãos"), gosto muito de "Se eu fosse seu patrão", da Ópera do malandro,  e Quem te viu, quem te vê, como a crônica de um sambista que viu sua cabrocha virar madame.

Gosto também de Caetano, fico admirado com letras como Língua e O quereres, me impressiono a simplicidade absolutamente linda de Cajuína ("Existirmos, a que será que se destina"), gosto muito de Vaca Profana, e me emociono toda vez que ouço Alguém cantando.

Preferi, propositadamente, escolher cinco músicas de cada um, a partir de uma escolha afetiva, impulsiva e instantânea. Não me importa, na hora que ouço tais músicas, fazer uma análise histórico-sociológico-musical, mas sim ouvi-las, senti-las. Agora já, me lembro de outras músicas de Caetano e Chico, que me escapara nessa lista de preferidas, que é sempre incompleta, sempre mutável.

"Chico vive seu melhor momento criativo e transforma-se, contra a vontade, num herói da resistência. Mas ainda é visto e ouvido e discutido como oposto a Caetano, a quem os admiradores de Chico acusam de  individualismo internacionalizado, de fazer o jogo da direita. Já os fãs radicais de Caetano consideram Chico um tradicionalista e populista, um atraso para a revolução socialista libertária. Os dois se incomodam com as divisões, que consideram injustas e estúpidas.

A melhor maneira de acabar com as polêmicas foi a mais bonita, a que eles encontraram, sob o sol de verão na Bahia: um show dos dois no Teatro Castro Alves, para ser gravado e transformado no disco Chico e Caetano -juntos e ao vivo




Um cantando músicas do outro, os dois cantando juntos. Show e disco tiveram extraordinário impacto e sucesso, o encontro foi uma das melhores notícias que o Brasil recebeu num ano de poucas boas, de escalada da luta armada e da repressão, da tortura e da intolerância. 

Para mim a questão do "um ou outro", por todos os motivos, artísticos, políticos e afetivos, nunca existiu. Sempre os considerei complementares e indispensáveis. 


O encontro histórico teve especial repercussão entre os fãs radicais de Chico e de Caetano nas esquerdas brasileiras, nos muitos grupos e tendências em que se dividiam. Juntos e ao vivo era, além de um extraordinário encontro de dois grandes artistas muito diferentes, uma metáfora de união e de tolerância, da harmonia por contraste."

Tolerância... parece que o bom gosto é sempre o nosso gosto, que o gosto do outro não presta. Caetano e Chico, dois grandes que passam alheios às discussões de seus fãs. Basta ver o que cada um diz do outro.

 Chico Buarque, no seu site: (www.chicobuarque.com.br):


"Eu gosto de tudo que o Caetano faz. Não tem o que eu gosto mais. Inclusive, porque ele continua fazendo e me surpreendo. Tenho uma relação pessoal com ele muito boa. Sempre tive. "
"Eu sou inteiramente diferente dele.

Por isso mesmo que a gente se entende bem.

Essa história desse Fla-Flu que se criou... Eu até comentei com ele esses dias... é uma coisa artificial. 


Vai ser difícil me jogar contra ele. Apesar dos esforços que são feitos nesse sentido continuamente.


Mas eu acho bobagem esperar que eu faça as músicas do Caetano ou que o Caetano faça as minhas músicas. 


Acho bom que ele faça as dele e que eu faça as minhas, que têm até uma origem comum, como eu disse no começo. A nossa formação é comum: a bossa-nova. 


Mas a cabeça dele é.... da minha. Eu me entendo com ele e acho que a minha música se entende com a dele também. "


Caetano, em duas passagens:

"Às vezes penso que minha profissão tem sido perseguir Chico Buarque. Mas é uma perseguição amorosa. 


E tem dado tão bons resultados já faz tanto tempo, que desta vez, ao contrário do que aconteceu com "Você não entende nada" - música que nomiei "Sem açúcar" (parafraseando "Com açúcar, com afeto") porque à época julgavam haver entre nós uma rivalidade reles, não temi pôr o nome "Pra ninguém" na canção que, como o "Paratodos" de Chico, lista virtudes de colegas. 

Chorei tanto quando Chico, em sua casa, me mostrou "Paratodos", que estava certo de nunca fazer nada para macular esse sentimento." (release do disco "Livro")









"O Chico é deslumbrante, ele é bom improvisador, é rápido em rima, tem um talento para poesia inacreditável" (Numa entrevista à Jô Soares).(IN Música em prosa )





Friday, February 27, 2015

CHICO E CAETANO VOLTAM

Depois de 16 anos, Chico e Caetano voltam a se apresentar juntos

(Postado por Lucas Brêda. Posted in Nacionais

Publicado em 13 setembro, 2012) 


Na noite da última terça-feira (11), no Teatro Oi Casa Grande, Caetano Veloso e Chico Buarque, que não subiam ao palco juntos há 16 anos, reeditaram a antiga parceria e cantaram três músicas em conjunto. O show, promovido pelo baiano, teve renda cedida à campanha do candidato Marcelo Freixo (PSOL) à prefeitura do Rio de Janeiro.

A última vez que os músicos tocaram juntos foi no réveillon carioca da praia de Copacabana, na virada de 1995 para 1996. 






 Contudo, a parceria Chico & Caetano foi consolidada em 1972, com o lançamento do álbum homônimo ao vivo e ganhou forças com o programa mensal (também de mesmo nome), sexta-feira a noite na TV Globo, em 1986.
                                                                    
























Num show com a cidade do Rio de Janeiro como temática (canções como Ela é Carioca, Copacabana, Madureira Chorou, Garota de Ipanema), Caetano anunciou: “Meu colega, meu querido amigo, meu amado Chico Buarque”, e dividiu com ele os vocais nas canções O X do Problema, do sambista carioca Noel Rosa e Medo de Amar, com autoria única de Vinícius de Moraes e já gravada por Chico. 

Para encerrar o show, junto ao grupo de percussão Trio Preto +1, cantaram A Voz do Morro, de Zé Ketti.

































Saturday, February 21, 2015

COMPOSITORES, POETAS, CANTORES, AMIGOS, AMORES




Para mim o "Homem mais sexy de verdade seria uma mistura de Chico [Buarque] com o Caetano [Veloso]" -(Juliana Paes)































Paulo Senna 11.07.2011 08h00m


 


(Chico Buarque e Caetano Veloso).
Depois de 20 anos, o canal Viva deu aos telespectadores afoi exibido pela Rede Globo, gravado no Teatro Fênix, no Rio de Janeiro, uma vez por mês, em 1986, às sextas-feiras, às 21h30m. Na concepção esteve Daniel Filho, na direção esteve Roberto Talma; e na criação e roteiro esteve Nelson Motta.
Artur Xexéo em sua coluna na Revista Globo fez alguns comentários importantes sobre o programa. Portanto, toda frase que aparecer entre parênteses é do jornalista e colunista de O Globo.
Na TV de hoje, o programa “não existiria”. A apresentação, lógico, era de Chico Buarque de Hollanda e Caetano Veloso.





“Há uma grande transformação entre o primeiro e o segundo programa. Talvez isso tenha sido provocado pela grande espectativa criada pela estreia e pela decepção que ela provocou. Chico e Caetano, juntos, ao vivo, na TV, não deram liga. A timidez de um não combinava com a descontração do outro. Os dois praticamente não contracenavam, o roteiro era muito solto e os ‘apresentadores’ não ‘apresentavam’. Na estreia, Caetano ensaiou a função ao anunciar Luiz Caldas, contando o começo do axé music. Chico não ousou tanto. Só aparecia para cantar. Diante disso, algumas alterações foram feitas na ficha técnica do primeiro para o segundo programa, “significaram alterações também na estrutura” do mesmo. “Chico e Caetano, por exemplo, passaram a ficar em cena o tempo todo, mesmo que só assistindo à apresentação de um convidado”. Então, “o programa ganhou uma cara, mas nunca foi um grande sucesso”, relembrou Xexéo.




O objetivo do diretor Daniel Filho, que concebeu o programa, era promover grandes encontros entre músicos, brasileiros ou estrangeiros. Com um roteiro bastante aberto, elaborado por Nelson Motta, os dois anfitriões cantavam e conduziam o espetáculo de outros cantores a fim de fazer do programa um ponto de encontro entre amigos.
A série, dirigida por Roberto Talma, foi exibida em nove programas. 
Passaram pelo palco de “Chico & Caetano” representantes de diversos estilos: Cazuza, Elizeth Cardoso, Elza Soares, Evandro Mesquita, Gilberto Gil, João Bosco, Jorge Ben Jor, Legião Urbana, Luiz Caldas, Maria Bethânia, Os Paralamas do Sucesso, Paulinho da Viola, Rita Lee e os estrangeiros Astor Piazzola, Mercedes Sosa, 


Pablo Milanés e Sílvio Rodriguez.

No dia 15 de agosto de 1986, o cantor Tim Maia, que chegara a ensaiar na véspera, não compareceu à gravação, o que levou a equipe de produção a alterar a estrutura do programa, exibindo trechos do ensaio. “Tim... era um dos convidados. Na véspera da gravação, chegou ao Teatro Fênix, ensaiou, reclamou de tudo (pediu eco, retorno, ‘side’, ‘side’, mais ‘side’), foi embora e... nunca mais voltou”.
A Divisão de Censura da Superintendência da Polícia Federal vetou a execução da música Merda (“Boa sorte!”, no jargão teatral), de Caetano Veloso. Além do uso de uma linguagem considerada imprópria pelas autoridades, a música também fazia referência ao uso de drogas (“Nem a loucura do amor/da maconha, do pó, do tabaco e do álcool/vale a loucura do ator”).
O projeto de cenografia de Mário Monteiro para "Chico & Caetano" foi o mais discreto possível: um cenário branco-e-preto com o fundo por vezes escondido por uma névoa, e apenas alguns fachos de luz iluminando os artistas.

O programa acabou gerando um LP, “Os melhores momentos de Chico & Caetano”, lançado pela gravadora Som Livre em meados de novembro de 1986. Entre as músicas do disco estavam “Águas de março”, com Caetano, Chico e Tom Jobim; “Adiós Nonino”, com Astor Piazzola; e “Festa imodesta”, com Chico e Caetano. Curiosamente, a polêmica “Merda” também fez parte do disco.





O programa foi reapresentado nas tardes de sábado, de janeiro a março de 1987. 

































PROGRAMAS COMPLETOS 1 A 4